Aquilo que não se fala mais

Estavam deitados na cama com seus corpos cobertos apenas por uma manta de microfibra vermelha. A mulher estava deitada sobre o braço direito do homem e segurava o celular com as duas mãos, como se fosse uma oferenda aos céus. Estavam assistindo ao vídeo que era reproduzido na tela do aparelho. Uma série que os dois acompanhavam juntos.

Ela estava mais concentrada no episódio, enquanto ele observava a covinha que se formava na bochecha dela toda vez que sorria por causa de algum personagem.

Tomado por um impulso que contrariava todos os instintos da racionalidade, ele quebrou o silêncio que pairava entre eles:

— Quer namorar comigo?

— Credo. Não se faz mais esse tipo de pergunta.

— Por que não?

— Porque é brega. – ela respondeu enquanto pausava a série na tela do celular.

— É que eu tô afim de você.

— Isso também não se fala mais…Agora, se diz que tem um crush na pessoa.

— Crush? Isso parece nome de chocolate.

— Pois é… viu como você tá por fora?

— E como se começa a namorar hoje em dia?

— Acontece naturalmente. As pessoas vão saindo, saindo, saindo… e pronto. Estão namorando.

— Então a gente já tá namorando?

— Claro que não! Tá doido? Nós somos amigos.

— Mas, a gente acabou de transar.

— Amigos também podem transar. Não tem nada demais nisso.

— Que estranho. E qual é a diferença desse tipo de amizade pro namoro?

— Namoro dá muito trabalho…

Então, com o dedo indicador da mão direita, ela deu o comando para o vídeo retornar a reprodução de onde havia parado. E ele se ajeitou no travesseiro e voltou a observar as covinhas dela.

O fim do namoro

As lágrimas saíram dos olhos dele e percorreram seu rosto até se empossarem sobre o bigode de sua barba:

— Por favor, não faz isso. Eu te imploro! Vamos conversar…

Ela até viu sinceridade no rosto dele, mas já estava decidida. Não voltaria mais atrás. Desde o primeiro dia que se conheceram, ela havia alertado que não aceitaria uma traição.

O arrependimento não muda o fato. Era nisso em que ela acreditava e por isso não cedeu às súplicas desesperadas do homem:

— Sei que eu errei, mas você está exagerando. Pelo amor de Deus! Presta atenção no que você está fazendo! Você tem que me ouvir.

Mas, ela não ouviu. Se aproximou do corpo dele sem camisa. Ele estava com as mãos atadas para trás e havia uma letra x em sua pele, um palmo acima do umbigo.

Ela sentiu a respiração dele pela última vez antes de enfiar uma faca na marca desenhada com pincel atômico em seu peito.

Os olhos dele se arregalaram. Pareceu que queria dizer alguma coisa, a última coisa, mas emitiu apenas um som engasgado. Um grunhido.

Sem falar nada, ela girou a faca e sentiu o sangue quente e espesso encharcar suas mãos delicadas, matando sua sede de vingança.

Fez com o coração dele o mesmo que ele havia feito com o dela. A diferença é que só um dos sofrimentos teria um fim.

O resultado do vício

Ela chegou e o encontrou no sofá com os olhos arregalados e estáticos. Chamou pelo seu companheiro, mas não obteve resposta.

O mau cheiro que exalava do corpo dele entrou pelas suas narinas e seu estômago embrulhou. A casa estava do mesmo jeito que havia deixado há uma semana, como se nenhuma presença de vida tivesse passado por ali nos últimos dias.

Seus sentimentos não se sustentaram dentro do peito e sua fala saiu bem mais alta do que esperava. Foi quase um grito:

— Amor! Você está me ouvindo?!

Então, como se sua voz o resgatasse do tártaro, ele deu sinais de consciência. Um pouco desorientado ainda:

— Hãn… Oi? Ah… é você? Já chegou?

— Há uns vinte minutos!

— Pensei que fosse voltar de viagem só na sexta-feira.

— Hoje é sexta.

— Sério? Nossa… comprei um jogo novo e acabei me distraindo.

— Tô percebendo. Você tomou banho?

— Tomei…

— Que dia?

— Na quarta.

— Você não tem vergonha? Um adulto deixando suas responsabilidades de lado por causa de videogame?!

— Mas, amor, esse é o novo GTA! O jogo não acaba nunca… toda hora aparece uma missão nova!

Ela partiu determinada em sua direção e arrancou o controle das mãos do marido:

— Não acredito que você comprou o novo GTA!

Sentou-se no sofá e começou a navegar pelo menu do jogo, apertando todos os botões que conhecia. Não conseguiu conter sua empolgação:

— É verdade que dá pra transformar todo mundo em zumbi?! Deixa eu jogar!

E, depois disso, viveram juntos para sempre. Dentro de casa.

P.Q.P.

A decoração no lobby do prédio era composta por três vasos grandes com plantas de plástico e dois sofás brancos. Formavam uma combinação harmônica, entretanto, ignorada pelas pessoas que tinham destino certo e passavam direto para os elevadores.

Bem ali entre aqueles móveis vazios, tão desprezadas quanto, estavam duas crianças. Um menino e uma menina.

Os dois eram irmãos e brincavam tranquilamente, sentados no chão de porcelanato, como se estivessem em um cômodo da própria casa. A menina aparentava ser a mais velha. Não muito. Uns três anos, talvez.

Enquanto tentavam montar um robô com uns blocos coloridos de plástico, o menino ouviu sua barriga roncar:

— Acho que quero uma bolacha de chocolate.

— Não se diz bolacha. O nome correto é biscoito.

— Quem disse? – perguntou o menino curioso.

— É o que tá escrito na embalagem.

— Eu ainda não sei ler.

— Pode acreditar em mim…

— Mas, o que importa é que eu tô com fome! Vamos subir pra comer bis-coi-to.

— A gente não pode subir agora.

— Por que?

— Porque a mamãe tá trabalhando e pediu pra gente esperar por ela aqui.

— Mas, eu tô com fome!

— Não vai demorar muito. Rapidinho ela termina e desce pra buscar a gente.

As crianças continuaram brincando com as peças de montar, porém com menos empolgação. A menina conseguia controlar mais suas emoções, mas era possível notar que ambas estavam entediadas.

Quando o elevador emitiu o som característico que havia chegado naquele andar, os irmãos direcionaram seus olhares curiosos, quase suplicantes, para as portas metálicas que se abriram.

Eles viram apenas um homem saindo de lá, ajeitando a camisa dentro da calça. Estava com os cabelos úmidos e aparentava estar atrasado para algum compromisso, pois passou apressado pelo hall, sem olhar para os lados. Em segundos, já estava na calçada da rua procurando o carro que havia estacionado ali perto.

— Aquele não era o moço que subiu para trabalhar com a mamãe? – perguntou o menino.

— Acho que sim.

— Tomara que seja ele! Não aguento mais esperar para comer uma bo… digo… um biscoito de chocolate. – revelou preocupado em usar a palavra que acabara de aprender.

— Lembre-se que a gente ainda vai jantar e a mamãe não gosta que você coma besteira antes da janta.

Antes que iniciassem uma possível discussão sobre a quantidade de biscoitos que poderiam comer sem perder o apetite, viram a mãe saindo de outro elevador e correram para abraçá-la.

— A senhora já tomou banho, mãe? – perguntou a menina observando os cabelos molhados da mulher.

— Já. E daqui a pouco vocês vão tomar também.

— Ah não! Banho não. Ainda tá cedo… nem começou a novela. – resmungou o menino.

— Deixa de ser porquinho. Agora me diga, você se comportou direitinho?

— Ele só deu trabalho na hora que queria comer bolacha antes de jantar… – informou a menina.

— Mentira dela, mãe!

— Eu tô mentindo?

— Tá! Porque não é bolacha que se fala. É biscoito!

Os três sorriram e entraram no elevador abraçados. Chegando em casa, as crianças foram tomar banho.

Enquanto estava se vestindo, a menina ouviu a mãe conversando com alguém no telefone. Aparentemente ela teria mais um trabalho naquela noite. Então, a menina suspirou, foi ao encontro do irmão que estava na cozinha e também comeu alguns biscoitos de chocolate prevendo que a janta atrasaria.

Palavras cruzadas

Fonseca acordava com a mesma sensação de um presidiário riscando a parede da cela para controlar a pena imposta. Porém, no seu caso, não era necessariamente liberdade o que desejava. O sentimento era apenas o de subtrair mais um dia daqueles que ainda restavam em sua vida.

Seus dias não eram muito agitados. Acordava bem cedo, pois se ficasse muito tempo deitado na cama sentiria dores no corpo inteiro. Então, realizava sua higiene pessoal, fazia o café e colocava ração para Lancelot, um gato amarelo que lhe fazia companhia. Em seu apartamento, moravam apenas ele e o animal de estimação.

Depois disso, ia até a varanda, acendia um cigarro e ficava ali observando a agitação das pessoas na rua até dar a hora de sair para almoçar. Voltava do almoço, assistia televisão e ficava ali no sofá o resto do dia. Levantava apenas para fumar na sacada. Nas primeiras horas da noite, o sono lhe abraçava e ele ia para o seu quarto dormir.

Fonseca ainda não sabia, mas aquele seria o último dia daquela rotina maçante.

Ele tinha apenas dois amigos, Nelson e Álvaro. Durante muito tempo, Fonseca foi um homem de muitas amizades, porém, aos 72 anos, aqueles foram os únicos que restaram vivos.

Por volta das 11 horas da manhã, ele desceu pelo elevador do prédio e partiu em direção  ao restaurante onde o trio se encontrava todos os dias para o almoço.

A pé e sem pressa, a caminhada durou um pouco mais de dez minutos. Antes de entrar no estabelecimento, sentiu algo diferente. Um frio na barriga. Outra pessoa teria chamado aquela sensação de pressentimento, porém, Fonseca já não acreditava mais nessas coisas.

Então, sem se importar com aquilo, abriu a porta do restaurante e foi ao encontro de seu destino.

No interior do restaurante, logo identificou os amigos Nelson e Álvaro, que estavam sentados na mesma mesa que sentavam todos os dias:

— Finalmente! Pensei que não viesse mais.

— Para de encher o saco dele, Nelson! É melhor chegar atrasado do que cair na calçada tentando andar rápido. Pode até quebrar a bacia ou coisa parecida.

— Isso pode acontecer mesmo. Semana passada uma vizinha minha lá do prédio tropeçou na rua e agora só anda de cadeira de rodas. – ponderou Nelson.

— Vamos parar de falar merda? Sobre o que vocês estavam conversando antes? – interrompeu Fonseca.

— Eu tava falando pro Nelson que o título de 89 é do Sport. Só que ele é um velho teimoso e insiste em dizer que o Flamengo foi campeão daquele ano!

— De novo esse assunto?

— É claro! E vamos conversar sobre isso quantas vezes mais for preciso pro Álvaro entender que não se pode mudar as regras no meio do campeonato!

Fonseca não estava com paciência para acompanhar aquela discussão novamente e foi para o balcão do restaurante. Uma decisão inusitada que mudou completamente o seu futuro.

Mesmo sem ter conhecimento da consequência de seus atos, os dados foram lançados no tabuleiro da vida, como se ele fosse uma pecinha de um grande jogo de RPG.

Fonseca abriu o jornal sobre o balcão e pediu uma caneta para fazer as palavras cruzadas.

Ficou ali durante alguns minutos concentrado no passatempo que praticava desde a infância, com os jornais furtados das casas de onde a mãe trabalhava como doméstica.

Depois de tantos anos, havia se tornado um tipo de especialista naquilo. Preenchia os quadradinhos vazios com certa facilidade, porém, como já foi dito, aquele não era um dia comum.

Uma palavra em particular roubava a sua paz. O suor brotava em sua testa e seu coração palpitava por causa de um sentimento que se aproximava do ódio:

— Mas, que caralho é esse de “famosa cerâmica produzida por índios da região amazônica”?!

Quando percebeu que as palavras tinham escapado de sua boca ao invés de ficarem guardadas em sua mente raivosa, sentiu as bochechas ficarem vermelhas de vergonha por causa dos olhares curiosos que os demais fregueses lançaram em sua direção.

Naquele horário, o lugar era frequentado majoritariamente por pessoas com mais de 60 anos. Entretanto, um palavrão em um local público sempre era motivo de estranheza. Isso não mudava com a idade.

Uma mão tocou em seu ombro e Fonseca se preparou para ouvir um sermão de algum fanático religioso querendo cagar regra. Engatilhou vários xingamentos na ponta da língua para revidar.

Mas, quando se virou, viu uma mulher de cabelos cacheados, tingidos de vermelho, usando óculos de grau com armação tartaruga. Ela sorriu e perguntou:

— Quantas letras?

— Nove. – respondeu confuso.

— Marajoara. – informou a mulher.

Naquele instante Fonseca soube que havia encontrado bem mais do que a última palavra para concluir seu jogo.

Teve certeza de que era ele quem estava completo.

Paixão no trânsito

Uma vez li uma poesia sobre uma paixão que nasceu dentro de um ônibus. Achei linda e lembrei das minhas paixonites que tive na época em que ainda utilizava o transporte público.

A leitura foi boa, mas não gostei da ideia que passou, como  se fosse uma exclusividade e não houvesse mais romantismo ao utilizar o carro como meio de transporte. Acho que isso é besteira.

É claro que pode acontecer uma paixão no trânsito. Agora mesmo estou parada em um engarrafamento e acho que está rolando um clima entre eu e o motorista da sandero vermelha que está na faixa ao lado.

Trocamos alguns olhares e ele sorriu pra mim, mas a faixa dele andou um pouco e ele parou na distância de uns três carros na minha frente.

Logo também chega a minha vez de andar e devo parar ao lado dele novamente. Pretendo passar meu telefone para ele. Inclusive, já vou deixei anotado em um pedaço de papel.

Como um animal faminto observando sua caça, não tiro os olhos da sandero vermelha. Dessa forma, noto que o motorista está olhando pelo retrovisor.

Será que está pensando o mesmo que eu?

Descubro que não! Finalmente minha faixa começou, porém, percebendo a movimentação no trânsito, o filho da puta mudou de faixa sem dar seta.

Ele entrou na minha frente bem na hora que eu ia andar. Maldito! Era a minha vez! Por um acaso ele acha que a pressa dele é mais importante que a minha?

Ainda por cima, o filho da puta quase derrubou um motoqueiro! E para completar, olha lá o caralho do sinal fechando.

Agora tenho que esperá-lo abrir de novo por causa da porra da sandero vermelha! Porque aquele cara é um egoísta que só pensa no próprio umbigo. Tomara que capote, morra e vá direto para o inferno, onde sua alma ficará queimando lentamente durante toda a eternidade!

Em pensar que cogitei me envolver com aquele escroto… Quero é que se foda!

A carta

Francisco apagou o fogo que estava sob a panela com água. Despejou o líquido fumegante dentro de um coador encardido e o cheiro do café se espalhou pela casa.

Encheu sua caneca com a bebida e ficou encostado na bancada da cozinha observando seu neto, que estava mexendo no celular.

O teto podia desabar que o garoto não largava aquela coisa! Mas, Francisco tinha desistido de brigar por causa daquele aparelho. Afinal, até ele tinha seus vícios e suas dependências.

Pensando nisso, levou a mão ao bolso da camisa social e pegou o maço de cigarros que estava ali. Era a hora de sua tragada matinal.

Em frente de casa, enquanto soltava uma fumaça azulada no ar como se fosse uma chaminé humana, viu o carteiro aproximando do seu portão.

O homem de camiseta amarela enfiou alguns papéis na caixinha e Francisco arremessou seu cigarro, ainda pela metade, na calçada e foi conferir as correspondências.

Pegou um envelope que se destacava dos outros e o abriu com cuidado. Retirou duas páginas lá de dentro e o perfume que emanava delas serviu para testar a qualidade do marca-passo instalado no peito do velho.

Seduzido pelas palavras escritas em letras cursivas, não viu quando seu neto passou correndo por ele com uma bola na mão.

Amor platônico

Todo santo dia ela passava por mim, acenava com a cabeça, dava bom dia e sorria. E toda vez, sem exceção, meu coração disparava como se quisesse ser ouvido por ela.

Eu retribuía sorrindo também, mas certamente sem a mesma graciosidade. Afinal, qualquer sorriso num rosto que não seja o dela, é feio.

Nunca tive coragem de puxar uma conversa que fosse diferente disso. Também acho que não havia muito para ser dito. Infelizmente, algumas paixões só podem existir mesmo no campo das ideias.

Teve um dia que ela esqueceu a carteirinha e eu fui liberar a catraca para que pudesse entrar. Foi o momento em que nossos corpos ficaram mais próximos. O perfume que emanava de seus cabelos cacheados invadiu minhas narinas e acalentou meus sentidos, me transportando para uma espécie de paraíso na terra.

Senti a mesma sensação de alguém com dependência química diante de sua maior fraqueza.

Mas, não fiz nenhum elogio. Mantive o controle de minhas emoções e respeitei meus limites. A aliança em sua mão esquerda transmitia uma mensagem tão clara quanto a pele do gado marcada com as iniciais de seu dono. Eu tinha que respeitar aquilo.

A última vez que a vi, ela estava ao lado do marido. Passou direto por mim sem me cumprimentar, enquanto ele me encarou explicitamente. Seus olhos me encaravam como se pudessem enxergar minha alma através do decote de meu vestido.

Provavelmente ela percebeu e, conhecendo a escrotidão do companheiro, decidiu frequentar outra academia. Tudo na vida é uma questão de escolha. Algumas pessoas preferem travar uma luta com os galhos ao invés de cortar logo a raiz do problema. Eu era um galho.

Amor à primeira vista

A presença dele surtia certo efeito hipnótico sobre ela. Desde sempre. Suas palavras soavam como cânticos entoados por um coral de querubins.

Ela não disfarçava sua admiração. Quando falava dele, seus olhos brilhavam e quando ele se aproximava o coração vibrava de alegria.

Era uma sensação única. Algo tão intenso que nenhuma droga seria capaz proporcionar um efeito que se aproximasse daquilo.

Às vezes parecia que ele se esforçava para colocar aquele sentimento à prova. Encontrava diversas maneiras de irritá-la, decepcioná-la e desorientá-la. Como se quisesse demonstrar a todo custo que não merecia aquela devoção.

Mas, não conseguia. Ela sempre continuava ali. Como agora, que o espia enquanto ele conversa no telefone.

Distraído, ele demora a perceber que está sendo observado. Quando nota que ela está lá, lhe acena com um sorriso discreto. Porém, o suficiente para deixá-la explodindo de felicidade. No fundo, ela sabe que o sentimento é recíproco.

Ele desliga o telefone e vai ao encontro dela. Os dois se abraçam. Um abraço bem apertado. Então, ele pergunta:

“O que você tá fazendo aqui?”

“Fiz café e vim saber se você quer um pouquinho.”

“Tem bolo?”

“Tem.”

“Impossível recusar um convite desses, mãe!”

Depois disso, os dois vão para cozinha onde lancham e conversam durante um tempo, até ele precisar atender o telefone novamente.