Amor à primeira vista

A presença dele surtia certo efeito hipnótico sobre ela. Desde sempre. Suas palavras soavam como cânticos entoados por um coral de querubins.

Ela não disfarçava sua admiração. Quando falava dele, seus olhos brilhavam e quando ele se aproximava o coração vibrava de alegria.

Era uma sensação única. Algo tão intenso que nenhuma droga seria capaz proporcionar um efeito que se aproximasse daquilo.

Às vezes parecia que ele se esforçava para colocar aquele sentimento à prova. Encontrava diversas maneiras de irritá-la, decepcioná-la e desorientá-la. Como se quisesse demonstrar a todo custo que não merecia aquela devoção.

Mas, não conseguia. Ela sempre continuava ali. Como agora, que o espia enquanto ele conversa no telefone.

Distraído, ele demora a perceber que está sendo observado. Quando nota que ela está lá, lhe acena com um sorriso discreto. Porém, o suficiente para deixá-la explodindo de felicidade. No fundo, ela sabe que o sentimento é recíproco.

Ele desliga o telefone e vai ao encontro dela. Os dois se abraçam. Um abraço bem apertado. Então, ele pergunta:

“O que você tá fazendo aqui?”

“Fiz café e vim saber se você quer um pouquinho.”

“Tem bolo?”

“Tem.”

“Impossível recusar um convite desses, mãe!”

Depois disso, os dois vão para cozinha onde lancham e conversam durante um tempo, até ele precisar atender o telefone novamente.

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